A história do jejum e festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

"Enalteçamos os apóstolos Pedro e Paulo, esses dois grandes luminares da Igreja, pois brilham mais que o sol no firmamento da fé" (Stichera das Vésperas)


Na Igreja Ortodoxa, os apóstolos Pedro e Paulo são considerados os primeiros entre os apóstolos. O primeiro devido à sua autoridade e o segundo ao seu grandioso trabalho apostólico. Frequentemente eles são representados juntos na iconografia como pilares da igreja de Cristo. Devido a isso, ganharam o título de “Príncipes dos Apóstolos".

Pedro e Paulo deram um vivo testemunho da fé com os seus gloriosos martírios durante a perseguição aos Cristãos realizada pelo imperador Nero (durando de 64 a 67 d.C). A respeito deste evento, o Bispo Eusébio de Cesárea, primeiro historiador Cristão, escreveu:

Declarando publicamente ser o primeiro inimigo de Deus, ele [Nero] foi o responsável pelo massacre dos apóstolos. Está registrado que Paulo foi decapitado na cidade de Roma e que Pedro foi crucificado. Essa história é corroborada pelo fato de os nomes dos dois apóstolos serem preservados no cemitério de Roma até os dias de hoje… Pois, se você fosse ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontraria seus troféus [monumentos]. (cf. Eusébio, História Eclesiástica II, 25).

A primeira menção ao martírio de Pedro e Paulo em Roma foi feita por São Clemente de Roma (88-97), em sua carta aos coríntios. O escritor do segundo século, Tertuliano, menciona que Pedro foi “crucificado” no pátio do Vaticano, enquanto Paulo foi “decapitado” e queimado na Via Ostiense além das muralhas. O mesmo Eusébio menciona Orígenes de Alexandria (253), que dizia: “Pedro, vindo por último a Roma, foi crucificado de cabeça para baixo, pois pediu para sofrer assim” (Hist. Eclesiástica III, 1). Desde aquela época, a tradição de que o martírio dos dois apóstolos ocorreu em Roma é constante e unânime. O fato também foi confirmado por escavações recentes.

O túmulo de São Pedro e São Paulo logo se tornou lugar de veneração pública. Constantino, o Grande (337), construiu uma magnífica basílica sob a tumba de São Pedro no Vaticano e uma modesta igreja no começo da via Ostiense, lugar onde está localizado o túmulo de São Paulo.

Em meados do quarto século, a Igreja Romana começou a celebrar a festa dos dois apóstolos no dia 29 de junho (velho calendário), com uma grande solenidade e festividade. Os imperadores Valentiniano II (392) e Theodosios, o Grande reconstruíram a modesta igreja de São Paulo, conferindo-lhe a grandiosidade própria de uma basílica.

Não demorou muito para peregrinos venerarem publicamente São Pedro e São Paulo no Oriente e no Ocidente. Costumeiramente, as igrejas do Oriente celebram a memória dos santos apóstolos no dia 28 de dezembro, imediatamente após a comemoração de Santo Estevão, o protomártir (27 de dezembro). No começo do século seis, quando a Igreja de Constantinopla começou a celebrar a memória deles com grande solenidade, o Oriente também aceitou a data romana para a celebração.

No dia seguinte, 30 de junho, a Igreja Ortodoxa comemora a solenidade dos doze apóstolos.

A importância da comemoração de São Pedro e Paulo é enfatizada por um certo período de quaresma conhecido como Jejum dos Apóstolos. Conhecido pela sua tradição, o Jejum dos Apóstolos possui evidências históricas de ser praticado desde o quarto século, em conexão com o Pentecostes:

“Depois de celebrar o Pentecostes, festeje por mais uma semana e, depois disso, jejue. É bom e aceitável regozijar-se com os presentes de Deus, mas, após um período de relaxamento, você deve jejuar novamente.” (Constituições Apostólicas ou Didaquê V, 20).

Isso é confirmado pelo grande liturgista ortodoxo, Arcebispo Simeão de Tessalônica (1429), que, em suas “respostas” ao bispo Gabriel de Pentapolis, escreveu: “Após a descida do Santo Espírito (Pentecostes), nós, de acordo com as Constituições Apostólicas, ainda celebramos por mais uma semana e, após isso, começamos a jejuar novamente, a fim de não relaxarmos com o excesso dos prazeres. E, ao mesmo tempo, através do jejum, honramos os apóstolos, que nos ensinaram como jejuar.

Tendo início no século dezesseis, através da influência dos monastérios, foi introduzido um modo mais estrito e regulado de realizar o jejum em honra aos santos apóstolos Pedro e Paulo. Este tempo também tornou-se um período de preparação para receber os Santos Mistérios. Os padres insistiam que os fiéis recebessem a Divina Comunhão ao menos quatro vezes no ano, a saber: Páscoa, Festa dos Apóstolos, Dormição da Theotokos e Natividade de nosso Senhor (Natal).

Este é o motivo pelo qual a Igreja Ortodoxa possui quatro temporadas de jejum durante o ano. Estas veneráveis tradições nos dão uma oportunidade para nos prepararmos adequadamente, com oração e jejum, para a recepção da Santa Comunhão e renovação de nossas vidas espirituais.


fonte: https://www.johnsanidopoulos.com/